24/11/2022 12:09 | Saúde

Hospital Helvio Auto implementa Comissão de Cuidados Paliativos

Composta por uma equipe multiprofissional, a comissão trabalha pela melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença sem perspectiva de cura

Grupo é formado por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicóloga, fisioterapeutas, terapeuta ocupacional, assistente social, nutricionista, fonoaudiólogas e padioleiro


Ana Paula Tenório / Ascom Hospial HélvioAuto

Após mais de dois anos de estudo, por meio de um grupo e avaliações constantes, a Comissão de Cuidados Paliativos do Hospital Escola Dr. Helvio Auto (HEHA), unidade assistencial da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), foi oficializada em agosto deste ano.

 

Composta por uma equipe multiprofissional, a comissão trabalha pela melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença infectocontagiosa que ameace a vida. De agosto a novembro de 2022, foram nove casos avaliados e acompanhados pela comissão, sendo oito destinados ao cuidado paliativo exclusivo.

 

No Brasil, os cuidados paliativos estão ainda em desenvolvimento e poucas unidades de saúde pública dispõem do serviço. No Hospital Helvio Auto, o grupo é formado por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicóloga, fisioterapeutas, terapeuta ocupacional, assistente social, nutricionista, fonoaudiólogas e padioleiro, que, juntos, avaliam em reuniões constantes, como se pode promover o cuidado integral ao paciente, seus familiares e cuidadores, em situações de patologia incurável e sem prognóstico de melhora.

 

Os cuidados paliativos primam pela minimização do sofrimento, tratamento da dor e demais sintomas físicos, psicológicos e até espirituais, por meio da promoção de conforto ao paciente. A adoção das práticas paliativas é tendência no mundo todo, uma vez que o aumento da expectativa de vida da população é uma realidade em diversos países, incluindo o Brasil.

 

Outras discussões recentes que impulsionam a adoção da prática no país é a declaração antecipada de vontade, também chamada de testamento vital, que são as especificações que o próprio paciente apresenta em relação a seu manejo diante de uma doença para qual a medicina atual não disponha de cura ou tratamento que melhore os sintomas.

 

“Para casos de Aids, nós temos indicação de cuidados paliativos dando suporte aos pacientes e familiares no processo da doença, da morte e até do luto. Nós buscamos ser uma equipe de suporte, não meramente clínico, e, também, oferecer um suporte social e espiritual. Já é comprovado que quando o paciente tem acesso a uma equipe de cuidados paliativos no serviço de saúde, o sofrimento dele, dos seus cuidadores e familiares é reduzido e, nos últimos dias de vida, ele passa a ser essencial para manutenção da dignidade humana, dando acesso à ‘qualidade de morte’, como chamamos”, explicou a médica Marília Magalhães, presidente da Comissão de Cuidados Paliativos do Helvio Auto.

 

No hospital, a comissão trabalha em várias frentes: realizam avaliações clínicas e psicossociais dos usuários e familiares, sugerindo medidas farmacológicas ou não, ainda aborda preferências, valores, crenças e desejos dos usuários e familiares. O paciente ainda pode ser transferido para uma enfermaria privativa, ter acompanhamento contínuo do cuidador, conferência familiar, acolhimento e apoio psicossocial à família, inclusive no momento imediato à morte.

 

“Existe ainda muito desconhecimento e preconceito em relação aos cuidados paliativos. A comissão trabalha inclusive no processo de desospitalização segura, por isso é importante difundir as técnicas da paliação por meio de ações educativas e informativas dentro e fora da instituição”, concluiu Vannessa Almeida, fisioterapeuta e membro da comissão.